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Controvérsias sobre o TDAH: Uma doença inventada?

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O TDAH, ou Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, é um transtorno cerebral de causa genética caracterizado por sintomas de desatenção, agitação e/ou impulsividade. Há, portanto, três subtipos do TDAH: o predominantemente desatento, o subtipo predominantemente hiperativo-impulsivo e o subtipo combinado. Apesar de ter sido descrita pela primeira vez no século XVIII, por Alexander Crichton, os sintomas essenciais ao diagnóstico descritos já naquela época são basicamente idênticos aos que usamos para diagnosticar o transtorno atualmente.

A prevalência do TDAH no nosso país é comparável com a prevalência mundial e está estimada em 5.29%. A causa precisa do TDAH ainda não está estabelecida. Entretanto isso longe de ser uma prova de inexistência dessa patologia, mostra o estágio atual do nosso conhecimento científico. Esta, inclusive, não é uma realidade diferente de do que ocorre com outras doenças sejam elas psiquiátricas (como Esquizofrenia, Autismo ou Transtorno Bipolar) ou não-psiquiátricas (tais como Vitiligo ou Doença de Parkinson) cuja causa específica ainda não está totalmente esclarecida. Ainda em relação a sua etiologia, vários estudos demonstraram os substratos neurobiológicos do TDAH e, mais ainda, sua condição etiológica complexa e multifacetada.

A validade desse diagnóstico independe do local geográfico ou mesmo de questões culturais locais. Isso é indicativo de que se fosse uma patologia “inventada” ou uma patologia secundária ao modo de educar as crianças, diferenças socioculturais deveriam apresentar diferentes variações nos sintomas. Contudo isso não ocorre. Outras evidências a favor da validade do diagnóstico são os estudos com famílias, estudos com gêmeos e estudos de adoção os quais demonstram a alta herdabilidade – entre 60 e 90% – dessa patologia. Neste sentido, parentes de primeiro grau (pais e filhos) de indivíduos com TDAH tem até oito vezes mais risco de apresentar o transtorno quando comparados a controles. Além do mais, parentes biológicos tem risco maior de TDAH que parentes adotados.

O diagnóstico de TDAH é importante não só no curto prazo. Além dos prejuízos que os pacientes apresentam pelos sintomas, ao longo prazo, os indivíduos não tratados adequadamente apresentam maior risco de transtornos por uso de substâncias, de apresentarem menor escolaridade, de terem maior abandono escolar, maiores taxas de desemprego ou subempregos, maiores dificuldades relacionais, maior risco de acidentes, maiores taxas de divórcios, e maior risco de apresentarem comportamentos antissociais e de delinquência.

Em relação ao tratamento, é importante que ele seja conduzido por profissional médico especialista. Há algumas modalidades de tratamento desse transtorno, entretanto a medida mais eficaz é o uso de psicoestimulantes. No Brasil, estão as únicas drogas de primeira linha disponíveis são o Metilfenidato nas suas diferentes formulações e a Lis-dexanfetamina. O uso de psicoterapias comportamentais, principalmente quando combinada a psicofarmacologia, é também recomendada principalmente devido a grande presença de comorbidades. Contudo, ela não substitui a medicação e o tratamento combinado é o ideal.

Finalizando, o TDAH é uma importante condição médica que deve ser levada a sério, tratada de maneira adequada e o mais precocemente possível. A população necessita ser melhor informada sobre suas características e, em caso de dúvidas, um psiquiatra deve ser consultado.

Bruno Mendonça Coêlho